sexta-feira, 18 de maio de 2007

Retiro o que ia dizer.

Já estava me preparando para fazer um elogio ao livre comércio, por ter visto hoje no supermercado uma Norteña (sabemos que se trata de uma cerveja uruguaia, acho que não preciso explicar) de um litro a R$5,89.
Este fato significa para mim, economista que sou, um ganho de bem estar de grande utilidade marginal.

Iria dizer que o livre comércio traz de fato coisas boas aos consumidores, mas que a custo dos produtores nacionais, ou do nosso próprio capitalismo.

Mas eu não vou dizer nada disso porque descobri que quem está distribuindo a Norteña no Brasil é a Ambev, então não tem nada a ver com dolar barato ou livre comércio.

È sem vergonhice de monopolista mesmo.

domingo, 6 de maio de 2007

Eu estive pensando um pouco na vida, tentando entende-la, saber o que é .Minha busca não tinha nada a ver com questões existensialistas, do tipo quem sou eu?para onde vou?Afinal eu já sei essas respostas. Eu sou eu , mesmo que nao goste, pra onde vou eu nao sei, e por que estamos nesse mundo nao importa, nós nao temos como sair mesmo. A reflexão sobre a vida que eu tive foi muito mais mediocre, eu so queria saber o que a vida é ou como é, não de maneira grandiosa, de maneira simples, e cheguei a uma conclusão. Conclui que a vida é "isso", pelo menos a minha é "isso", e se for "isso" tudo bem, acho que posso ser feliz assim.Porém quando ia terminar a reflexão nao pude dixar de pensar, mas é só "isso"? A vida que eu conheço me parece satisfatória mas ao mesmo tempo tão pouca, será que aqueles que viram gloria na vida exageraram nos seus relatos assim como uma pré adolescente contando pra amiga sobre seu carnaval no Guarujá. Eu me cansei de ser feliz só porque não tenho motivos para ser triste.
O problema é que não vou tomar atitude nenhuma quanto a minha revolta já que o "só isso" é a vida que eu conheço nao tenho armas pra lutar, se alguem tiver alguma sugestão...

sábado, 5 de maio de 2007

Elogio ao Ridículo

O rapaz abria a porta do carro, entrava, e lá estava seu amigo na direção. Cumprimenta-o, sauda-o. Com um sorriso mais para o bege, de quem está mais importado em ir logo jogar futebol do que em ficar conversando com seu amigo que chegara há pouco. Aquele, no entanto, era um dia diferente da mesma semana em que nenhum dos dois havia feito nada de especial. Era o dia de uma confissão. E quando confessasse aquilo nada mudaria no mundo. Nada faria a menor diferença. Era apenas uma verdade que os outros deveriam saber, uma verdade incontestável, dolorosa. Depois da saudação, um silêncio inicial antes que o assunto começasse pairou naquele carro, que fora quebrado após uns segundos:
- Alguém nesse mundo há de dizer o que eu direi.
- Por favor. No meu carro nunca ninguém nunca saiu do armário. Tenha paciência. Disse ele brincando, mas sem deixar de ser alerta, pois ainda que o risco fosse pequeno, era uma das últimas coisas que ele queria ouvir no caminho para o futebol.
- Não, não é isso. O que há de se dizer a esse mundo é que o ridículo é bom. O ridículo é o último reduto da humanidade. É nele onde se vê gente de verdade nesse mundo, que é como eu, que foge dos socos dos outros, que tem canetas estouradas nas camisas.
- Concordo, concordo. Quem quer esconder sua infâmia é menos gente. Você sabe que uma vez eu estava de visita na casa de uns amigos meus, aí nós estávamos tomando café da manhã. Quando preparam café da manhã para uma visita é uma enganação só. Parece que estávamos nesses comerciais de margarina, tudo lindo, tudo ótimo, comida à vontdade. E todo mundo sabe que não é assim que se toma café da manhã.
- Entendo.
- Pois então, acontece que estavámos numa conversa agradável, e alguém disse algo sobre ter viajado para a Itália, sobre ter ido a Milão e conhecido a cidade. Bem, eu não tinha prestado muita atenção na conversa, pois percebi que do outro lado da mesa havia uma cesta de frutas para comer. Olhar fixo àquela cesta, que tinha uma cara de ter frutas doces demais.
- Claro.
- Distraído, ouvi a mãe do meu amigo me perguntar: “Você conhece Milão, Claúdio?”. E eu, que nunca fui à Europa, respondi: “sim, conheço, claro. Minha avó sempre comparava para mim quando ia à feira, e de todos os tipos”.
- Que Gafe. -Riu-se o amigo-. São essas coisas que dão graça à vida. Isso e o tédio. Então nossa vida é um misto de ridículo e tédio.
- E há pessoas contra a eutanásia...
- Não, mas como eu disse, isso que faz a vida mais quente, aliás, ouso dizer que é por isso que as pessoas não querem morrer, pois no céu nem no inferno há ridículo. Se algum dia estiver eu em estado terminal, numa cama de hospital, viraria para o médico o diria: “não antes de assistir ao programa do Márcio Garcia!”.
- Este programa é genial. Verdadeiramente genial. Passo as tardes de sábado vidrado.
- Entre isso e assistir um filme iraniano, ou ler “Caros Amigos”, prefiro mil vezes isso. Duas mil. Ainda bem que na televisão colocam pessoas de bem para pensar nos programas. Eu sempre pensei naquilo que falam nas reuniões da equipe de produção, quantas idéias desperdiçadas.
- O nosso país tem algo de ridículo também. Veja o exemplo da corrupção com dólares na cueca.
- Só no Brasil. Aqui a política é humana, mas só neste sentido. Meu avô sempre reclama que os aumentos do salário mínimo não vão para os aposentados. È bem esperto esse governo, apertar aqueles que já estão de saco cheio de se mobilizar. Podem dar o argumento econômico que quiserem, mas não está direito.
O carro, vai parando, e o lapso de lucidez termina quando se pôde avistar a quadra onde iriam jogar, novinha, azulzinha. Os olhos deles brilhavam como se avistassem, crianças, as suas mães vindo-lhes buscar na escola. Naquele momento não poderia haver outra cena ridícula senão àquela.

terça-feira, 17 de abril de 2007

trabalhar = calar a boca e fazer.

domingo, 15 de abril de 2007

Sem Preconceitos

Eu desconfio de todas as pessoas que dizem não ter preconceitos. Por vezes ouço, em conversas nos corredores, alguém se vangloriando porque vai em festas GLS e por isso é muito liberal. Sinto uns choques no corpo quando, num determinado círculo social distinto, vejo pessoas dizerem que não tem problema algum com moradores da favela. A mim parece razoável que quando perguntarem se eu tenho ou não preconceitos, eu provavelmente vá responder: "não que eu me lembre, ou melhor, nenhum explícito neste momento".
Não é que eu seja cautelosamente fascista, sou até para padrões brasileiros, um progressista. Tento apenas manter a minha honestidade intelectual, por assim dizer. Corre por aí uma definição besta, de que preconceito é um pré-conceito. Não tem nada a ver. Se tenho um pré-conceito, assim que conseguir conceituar aquele objeto, através de minhas apreensões da realidade, substituo-o pelo "pós-conceito". No entanto não é assim que acontece, os preconceitos tendem a continuar mesmo depois de eu ver um baiano que não é preguiçoso, um homosexual que não é afeminado.
A rigidez dessas noções são reforçadas por estereótipos de várias ordens que se espalham por toda a sociedade, e logo, não há uma pessoa que não raciocine por meio de estereótipos, do contrário nossa velocidade de cognição seria equivalente a de processamento de um 486. Portanto, ninguém está isento de ter preconceitos, repito, ninguém está.

Agora o amigo aqui vai lendo e protesta: "eu tenho certeza que não tenho!". Ora, é melhor você pensar um pouco mais. Se está livre de preconceitos raciais, é já um grande passo, mas e quanto a preconceitos contra pessoas religiosas, crentes, ou quanto a pessoas de visão política conservadora, ou quanto aos amantes do pagode?

Há um espectro imenso de possibilidades de preconceito. Mais do que sua generosidade voluntariosa pode imaginar, mais do que seu progressismo de botequim conseguiria avaliar. Conseguir se livrar daqueles preconceitos mais tradicionais não significará sempre ter uma mente mais aberta que um senhor de escravos, seguramente. A lucidez de pensamento não aparece em nenhuma constituição, não é pedida em nenhuma lei, nenhum código, porém só ela poderá fazer uma sociedade mais aberta, visível e livre.

Dizer: "eu não tenho preconceitos" é uma forma de alienar-se, e assim alienado, envenenar as possibilidades infinitas de elevação da humanidade.

A razão pela qual as pessoas em dado momento, desejam se entregar a esses chavões, é porque perderam o gosto, perderam o gosto de ser livres e se sentir questionadas, instigadas a cada segundo por qualquer coisa que surja à frente, pela benção inestimável que é a dúvida e a crítica.

domingo, 8 de abril de 2007

(Carpe) Diem

Ontem, voltando para casa de manhã, pensei nisso.

Pensei como as pessoas interpretam mal essa expressão, ou como ela foi criada erroneamente.

Quando se pensa em carpe diem se pensa em aproveitar cada momento como se fosse o último, na busca de "- dor + prazer". Acredita-se que deve se aproveitar cada dia pois ele pode ser o último. É muito da história que o Diogo contou que a Andressa Campeão gostaria de ter "menos vergonha na cara".

Eu não entendo assim, aliás nem o Diogo, a quem empresto a pena em alguns trechos do post. Entendo que deve-se aproveitar o maior números de dias, de uma forma que seja agradável. De nada vale um dia de muitos prazeres se o próximo dia é de dor; de nada vale uma juventude de prazeres se você tem uma maturidade e um velhice prejudicada.

Carpe Diem é uma expressão que está ligada em primeiro lugar ao equilíbrio, depois ao chamado idílio, que em poesia, é como se fosse uma imagem que remete a um cenário pastoril, bucólico e extremamente carregado de lirismo.

Dá para perceber que isso não tem nada a ver com ir numa rave, ou se embriagar e ter uma overdose, não necessariamente nessa ordem. O Carpe Diem talvez esteja mais ligado ao conceito de qualidade de vida.

Parece-me uma coisa de vigarista, usar um termo latino que inspira sabedoria para justificar o oposto, digamos assim.

A verdade é que a vida continua, e pode acreditar que, mesmo que você morra de prazer, pode ter certeza que será o pior jeito possível de se aproveitar o dia.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Ontem

Hoje, o ontem já aconteceu.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Hoje, um dia qualquer

A idéia do suicídio estampou-se no meu pensamento.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Hoje, 3 de abril

Hoje pensei em me matar...

domingo, 1 de abril de 2007

Hoje

Hoje pensei em me matar...

Mentira.